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Um convite à dança, ao corpo e à vida

“Bailarinas Incendiadas”, uma das atrações do FILO, convoca a plateia a dançar junto a partir de histórias reais do século 19

20/06/2026


Um convite à dança, ao corpo e à vida

O espetáculo “Bailarinas Incendiadas”, de Luciana Acuña (Argentina), que se apresenta nesta quinta (18) e sexta (19) na Usina Cultural, promete tirar a plateia da zona de conforto.

No palco, um espaço semelhante a uma boate e um DJ que mistura música e samples ao vivo. Enquanto isso, cinco performers dançam sem pausa e narram tragédias reais do século 19, protagonizadas por bailarinas cujos tutus pegaram fogo sob a iluminação a gás, comuns à época. “Invocaremos essas bailarinas envoltas em chamas e mergulharemos no fogo como quem mergulha em uma piscina. Seremos as bruxas da Inquisição, mas não morreremos; exibiremos nossas cicatrizes. Criaremos um balé de monstros, dançaremos possuídas a noite inteira como demônios, até que nossos corpos — e os de todos os presentes — sofram alguma transformação”, destaca a sinopse do espetáculo.

Em conversa com a equipe de Comunicação do FILO, Luciana Acuña, diretora de “Bailarinas Incendiadas”, explica que, apesar de a obra focar em corpos que se incendeiam, o resultado não é obscuro: “Há algo da morte que me parece atrativo. É mais uma transformação e um mistério do que algo obscuro. Acho que a morte é como voltar a nascer”.

Nessa dinâmica o público sai de uma posição de mero espectador e é convidado a participar da festa. “Na dança, o corpo é que está em primeiro plano. Então sentimos a necessidade de pensar como é o corpo dos espectadores enquanto eles veem o espetáculo. Nos demos conta de que eles não poderiam ter uma posição passiva, assistindo sentados, como era no século 19. Então as pessoas podem fazer o que quiserem. Ficar paradas, dançar, sentar… É um pouco sobre transmitir a sensação física da dança ao espectador”, explica Luciana.

O espetáculo foi inspirado na pesquisa em dança de Ignacio Gonzaléz, diretor e coreógrafo argentino, que começou essa investigação sobre bailarinas incendiadas. Segundo a diretora, as histórias sobre o tema, que apareciam nos jornais da época, foram seu ponto de partida e fizeram com que ela se aproximasse cada vez mais dessas figuras do passado: “É um pouco místico, mas senti que estava cada vez mais perto delas, dos fantasmas. E a dança clássica está habitada por fantasmas, porque são sempre sílfides ou seres que não são humanos, que estão entre a vida e a morte, entre cemitérios e bosques… Então me aproximei muito dessas bailarinas do outro século. E foi lindo”.

Para Luciana Acuña, essa é uma obra sobre dança, sobre corpo, sobre vida. O convite da diretora, portanto, é para que o público entre nessa experiência: “Espero poder transmitir algo do que meu corpo sente quando dança, do que se passa no corpo de todos nós quando dançamos. Há algo que a dança tem que é muito carnal, visceral. E é difícil e sensível de passar isso ao outro. Saímos da Argentina para mostrar o que fazemos e queremos compartilhar com vocês.”

(Layse Barnabé de Moraes/Assessoria de Comunicação FILO)

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