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Entre a vida e o palco, Rodrigo Portella compartilha os caminhos da direção
Em bate-papo do FILO 2026, diretor de “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira” e de “TIP – Antes que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo” revisitou momentos decisivos da carreira e revelou como o teatro atravessa sua rotina dentro e fora dos palcos
O aclamado diretor Rodrigo Portella encantou o público no bate-papo sobre seu trabalho, que aconteceu no hall do Cine Teatro Universitário Ouro Verde na tarde desta terça-feira (23). A atividade é parte da programação do FILO 2026, apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Petrobras, que também é patrocinadora master do evento. O Festival, que segue até o próximo domingo (28), conta ainda com patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina por meio da Secretaria Municipal de Cultura/Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic). Os ingressos estão disponíveis no site www.filo.art.br.
O diretor dividiu com os presentes marcos da sua trajetória, que começou no teatro amador, passou pela vida acadêmica e encontrou o verdadeiro prazer na direção: “Essa é a minha vocação, esse é o meu ofício”, contou ele durante o evento, que teve a presença massiva de alunos de Artes Cênicas da UEL e também do público em geral.
Portella esteve no FILO pela primeira vez em 2014, com o espetáculo “Antes da Chuva”, da Cia. Cortejo. Naquela ocasião, a montagem foi vista por curadores e selecionada para integrar o Palco Giratório, do Sesc, o maior projeto de difusão e intercâmbio de artes cênicas do Brasil. Mais tarde, foi com “Tom na Fazenda”, de Michel Marc Bouchard — parte da programação do FILO 2017 —, que a virada na carreira de Rodrigo Portella aconteceu: “‘Tom na Fazenda’ foi um divisor de águas, que me projetou na cena nacional e internacional”, detalhou ele. A peça rodou por mais de 10 países, tendo destaque em grandes veículos de imprensa, como Le Monde, The Guardian e Rolling Stone.

A partir daí, veio o convite para escrever e dirigir “Ficções”, inspirado no best-seller “Sapiens”, de Yuval Harari. O espetáculo, apresentado no FILO 2025, estrelado por Vera Holtz, foi um fenômeno da cena teatral brasileira, com dezenas de indicações a prêmios e vencedor dos Prêmios Shell e APTR de Melhor Atriz. A lista de láureas de Portella também inclui os mais importantes prêmios do teatro brasileiro nos últimos anos, como Shell, Cesgranrio e APTR.
Na programação do FILO 2026 ele assina a direção do espetáculo de abertura, apresentado pelo Grupo Galpão (MG), “(Um) Ensaio Sobre a Cegueira”, e de “TIP – Antes que Me Queimem Eu Mesma Me Atiro no Fogo”, com dramaturgia e performance de Milla Fernandez. “Dirigir o Grupo Galpão foi uma das coisas mais maravilhosas que aconteceram na minha vida”, contou. “Eu vi o Galpão nos anos 90, com ‘Romeu e Julieta’, e fiquei enlouquecido”, revelou, afirmando ser tiete do grupo mineiro. Já dirigir “TIP”, segundo ele, foi completamente diferente de tudo o que viveu, visto que também é marido da protagonista e aparece no solo de Milla como personagem. Com direito a ensaios na sala de casa, atravessando a rotina, o processo foi muito mais próximo e íntimo: “Eu conheço aquela história de um jeito que não conheci nenhuma outra das peças que fiz, porque eu sei exatamente da onde veio tudo”, relatou Portella.
Um trabalho para o elenco
No bate-papo, Rodrigo Portella afirmou que seu primeiro compromisso é com o elenco, depois com o público. “Eu trabalho primeiro para o elenco. Sou camaleão. Vou entrando e me encaixando. O diretor, para mim, é o mediador de processos. Meu trabalho é escutar muito. Levantar perguntas e esperar o que vai vir”, explicou ele.
Entre suas premissas como diretor está a confiança suprema na imaginação do público. Por isso, em seus espetáculos, Portella sempre revela a arquitetura do espaço: “Preciso mostrar para o espectador que estamos em um teatro. Sem ilusão. Esse é o primeiro passo para um acordo tácito com o público: a gente vai imaginar juntos. O palco é mágico como um livro. E o teatro dá impulsos para que o espectador possa imaginar”, completou.
Se, nos palcos, o diretor opta sempre por deixar a realidade entrar, o movimento contrário também acontece: os palcos também invadem o seu mundo. “A vida real é uma chatice. Um plano sequência tedioso… Eu não sei viver sem estar trabalhando. Quando eu não tenho projeto, sinto uma sensação horrível de solidão e angústia”, confessou. Com mais de cinco espetáculos sob sua direção rodando neste momento, incluindo “Fim de Partida”, com Marco Nanini, e outros vários em produção, ao que parece não faltará arte nem palcos para preencher vazios.
(Layse Barnabé de Moraes – Assessoria de Comunicação FILO 2026)