“OVO” NA USINA CULTURAL

De passagem

 Agon Teatro apresenta no FILO o espetáculo OVO, que aborda a morte e as relações familiares de modo poético

A vida como um constante adeus. Este é o tema que atravessa “OVO” , peça do Agon Teatro escrita e dirigida por Renato Forin Jr., com orientação cênica de Marcio Abreu, da Cia Brasileira de Teatro. Nos dias 22 e 23 de agosto, o grupo se apresenta na Mostra Londrina do FILO 2015. Sempre às 21 horas, na Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159), com entradas a R$ 25 e R$ 12,50 (meia) na bilheteria do Festival no Royal Plaza Shopping ou pelo site Disk Ingressos. A montagem teve patrocínio da Prefeitura Municipal de Londrina por meio do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o Promic.

Desde a estreia, em março, o espetáculo tem emocionado espectadores ao tratar de questões delicadas como a passagem do tempo e das pessoas e ao propor uma estrutura que atualiza personagens da tragédia grega.

Dentro de três caixas, dois atores guardam as dores e os afetos silenciados de uma família. Progressivamente, os intérpretes dão vida a Édipo e Electra, personagens trágicos que, na trama, são irmãos em conflito. A história evoca a zona rural de um Brasil arcaico, onde os dois foram criados.

A peça capta o instante em que Electra chega na cidade, onde Édipo está exilado, para dar a notícia da morte da mãe. “A montagem mostra os desdobramentos imaginários deste encontro tão marcante na vida dos irmãos. Lembranças e pressentimentos confundem-se, trazendo reflexões universais sobre a constante sombra da morte que nos ronda, o desaparecimento das pessoas amadas no percurso da vida, a angústia da passagem do tempo, as incertezas a respeito de Deus e do destino”, explica Renato Forin Jr., que interpreta Édipo.

Passando por questões como estas, o Agon Teatro traz à tona elementos da tragédia clássica dentro de uma estrutura formal contemporânea. Em muitos momentos, os atores despem-se dos personagens, lançando ao público estilhaços de pensamentos sobre o ofício teatral e as relações entre arte e vida. “A minha angústia é que a vida não se repete. Ela está sempre indo, indo, indo. Cada segundo é um nunca mais, você entende? Aqui no teatro é diferente”, diz, em certo momento, Danieli Pereira, atriz que vive Electra.

Outra diferença do espetáculo é o espaço cênico. O público é disposto bem próximo dos atores, em torno de uma arena circular, onde acontecem transformações cenográficas e revelação de pequenas surpresas. “Cenário, figurino, iluminação, sonoplastia e a própria encenação conduzem os espectadores por uma viagem entre o cinza barulhento da cidade e as cores plácidas do campo. É como se a dramaturgia se concretizasse também espacialmente. Não há separação entre texto e cena”, pontua o diretor. Para este deslocamento de paisagens, o Agon Teatro utiliza quilos de palha de arroz, terra, água, caroços verdes, além de quatro caixas de som em torno da arena para a ambientação acústica.

A trilha é assinada por José Carlos Pires Júnior, a luz é de Maria Emília Cunha, os figurinos são de Nathalia Oncken e o cenário é uma criação coletiva do Agon.

Construído ao longo de dois anos, “OVO” contou, na última etapa de elaboração, com a orientação cênica de Marcio Abreu, diretor da Cia Brasileira de Teatro (Curitiba/Rio de Janeiro) e recente indicado ao Prêmio Shell RJ pela montagem “Krum”. “Marcio nos despertou para questões importantes e essenciais em ‘OVO’, como a criação de um convívio e de uma presença em constante fluxo relacional com a plateia, a escuta do próprio texto e o exercício de esquecimento, para que a cada apresentação a peça adquirisse um frescor e um ineditismo” destaca Forin.

O diretor explica que, na montagem, Édipo e Electra são revestidos por referências psicanalíticas e por uma humanidade cotidiana – o que gera o efeito de proximidade com o público. “A peça, no fundo, é bastante simples, no sentido de buscar e focar uma essência do gesto teatral: o efêmero, o que não se repete, o encontro real entre as pessoas – experiências cada vez menos presentes na vida contemporânea”, reflete.

Ficha técnica:
Dramaturgia e direção: Renato Forin Jr.
Elenco: Danieli Pereira e Renato Forin Jr.
Orientação cênica: Marcio Abreu (Cia Brasileira de Teatro)
Criação de cenário: Agon Teatro
Criação de figurino: Nathalia Oncken
Criação de luz: Maria Emília Cunha
Desenho sonoro, flautas e viola: José Carlos Pires Júnior. Viola da Gamba: José Olmiro Borges. Violino: Letizia Roa
Produção: Danieli Pereira
Assessoria de imprensa da primeira temporada: E-Lectra Comunicação
Fotos e assistência de palco: Marika Sawaguti
Videomaker: Cláudio de Souza
Design gráfico: Visualitá
Execução de cenário: Claudiomar Meneguetti, Roberto Rosa, Romildo Ramos
Realização: Agon Teatro e Centro de Produtores Independentes de Arte e Cultura
Patrocínio da montagem: Programa Municipal de Incentivo à Cultura de Londrina (PR)
Apoio: Àmen, Usina Culturaque ol, Funcart e Rádio UEL

Drama
Duração: 90 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

OVO
Agon Teatro (Londrina – PR)

Dias 22 e 23 de agosto
Horário: 21 horas
Local: Usina Cultural (Av. Duque de Caxias, 4159)

Festival Internacional de Londrina – FILO 2015
De 14 a 30 de agosto
Promoção: Associação dos Amigos da Educação e Cultura Norte do Paraná e Universidade Estadual de Londrina
Direção:
 Luiz Bertipaglia
Patrocínio:
 Petrobras, Prefeitura de Londrina / Secretaria Municipal da Cultura / Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), Caixa Econômica Federal, Copel/Governo do Estado do Paraná, Unimed Londrina, Horizon – John Deere e Ministério da Cultura / Governo Federal /Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Apoio: SESI Londrina, Royal Plaza Shopping, W2 Digital, Bar Valentino, Fecomércio PR/SESC, M&M Brasil, UEL FM, Doce Sabor, RPC, Fundação Cultural de Ibiporã, Itamaraty e Geleia Mob APP.
Realização:
 Ministério da Cultura / Governo

2017-02-18T11:08:17+00:00 25 de julho de 2016|0 Comentários

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